TRIP GIRL: ANTONIA MORAIS
O primeiro ensaio sensual da irmã de Cleo Pires, antes dela estrear sua primeira protagonista na TV
Aos 24 anos, Antonia Morais se prepara para viver sua primeira protagonista na TV, a prostituta Lúcia McCartney. A filha de Gloria pires e Orlando morais, irmã de Cleo, vai buscando seu caminho dentro da dinastia de cultura pop em que nasceu e cresceu.
Ninguém é escolhida para encarnar Lúcia McCartney impunemente. Ela é, talvez, o maior personagem feminino de um dos maiores contos de um dos maiores escritores brasileiros contemporâneos. Um(a) puta personagem, daqueles que catapultam ou sabotam carreiras. Como disse Sérgio Sant’Anna, outro craque, “nunca um conto foi tão representativo de uma época e nunca o famigerado duelo forma-conteúdo conheceu equilíbrio semelhante”. E o fato de ser transformado em série pelo filho (José Henrique) do Homem (Rubem) deve ser uma garantia contra heresias na adaptação.
Sem exageros retóricos, escolher uma Lúcia McCartney é quase tão delicado quanto escolher uma Capitu. Com uma diferença essencial: desta última, com seus olhos de ressaca, sabemos tudo (ou praticamente tudo, já que a traição ou não a Bentinho permanece um enigma). De Lúcia, porém, conhecemos pouco, muito pouco. É uma garota de programa de 18 anos, mora na zona sul do Rio, gosta de ouvir música (sobretudo os Beatles de Paul McCartney, de quem roubou o sobrenome de guerra) e de dançar na boate Zum Zum, perdeu os pais e mora com a amiga Isa. Mais importante, ela se apaixona por José Roberto, um cliente (“paulista, não gosto de paulistas”). E nada mais.
Como o conto não fornece particularidades físicas, Lúcia McCartney poderia ser quase qualquer uma. Cabe a Antonia Morais, agora, provar que só poderia ser ela. De cara, a atriz tem o básico: uma beleza que foge do óbvio, a juventude (seus 24 anos passam por 18), o amor pela música, a carioquice e um namorado paulista – sem falar no talento demonstrado no cinema, na TV e nos clipes, no pedigree artístico dos Pires/Morais e em uma certa inocência interiorana, talvez herança do lado goiano da família, que também exalava de Lúcia.
Leia a entrevista com Antonia Morais e veja o ensaio completo na Trip #257, que chega às bancas dia 15/08.
FONTE: Ricardo Calil (Revista Trip)
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